Grupo Mateus fatura R$ 9,4 bi no 1T26; lucro cai 22% com pressão nas margens

alt mai, 21 2026

Quando Grupo Mateus divulgou seus números do primeiro trimestre de 2026, o cenário foi de contrastes agudos para os investidores. A empresa registrou uma receita líquida robusta de R$ 9,4 bilhões — um salto de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a lucratividade não acompanhou o ritmo das vendas: o lucro líquido despencou 21,8%, fechando em R$ 212,9 milhões.

O que aconteceu exatamente? A resposta curta é que a expansão agressiva e a integração de novos formatos trouxeram volume, mas pressionaram as margens. O mercado, acostumado a ver crescimento linear, teve que digerir a realidade de um varejista em transformação estrutural.

A estratégia do Novo Atacarejo

A peça central dessa jogada é o Novo Atacarejo. Segundo reportagens especializadas, como as publicadas pelo portal SuperVarejo, a integração desse formato foi o principal motor da receita recorde. Não se trata apenas de abrir portas, mas de consolidar uma operação que atrai um público diferente: o comprador em quantidade, seja ele outro comerciante ou o consumidor final buscando preço baixo.

Essa aposta na eficiência operacional parece estar dando certo no topo da conta. O EBITDA pós-IFRS16 atingiu R$ 543 milhões, e a geração de caixa livre somou R$ 323 milhões no trimestre. São números saudáveis que indicam que a máquina financeira continua girando bem, mesmo com os custos operacionais subindo.

Turns out, a expansão física também contribuiu. Ao final do 1T26, o Grupo Mateus operava 306 unidades, tendo inaugurado quatro novas lojas apenas nesse período. Essa base crescente ajuda a explicar por que a receita total cresceu tanto, mesmo quando as lojas antigas tiveram desempenho mais fraco.

O dilema das vendas em mesmas lojas

Aqui entra o ponto de atenção. Enquanto a receita total disparou, as vendas em mesmas lojas (conhecidas no mercado financeiro como SSS, ou *same-store sales*) caíram 7,3%. Para colocar isso em perspectiva: no primeiro trimestre de 2025, esse indicador estava positivo em 5,2%. Ou seja, houve uma queda de 12,5 pontos percentuais em apenas um ano.

Isso significa que as lojas estabelecidas estão vendendo menos do que vendiam antes. Por quê? Analistas apontam dois fatores principais:

  • Mudança de mix de produtos: A entrada do atacarejo pode ter alterado o comportamento do consumidor tradicional, que agora busca preços ainda menores, comprimindo as margens nas operações convencionais.
  • Custo elevado de expansão: As despesas com vendas cresceram 27,9% no trimestre, segundo dados do SuperHiper. Esse aumento quase triplica o crescimento da receita, sugereindo que cada real vendido custou mais caro para ser gerado.

O resultado líquido disso foi a queda no lucro. O Guia do Investidor ressaltou explicitamente que a "pressão nas margens" combinada com a "desaceleração das vendas" nas unidades existentes foi fatal para o resultado final do trimestre.

Análise dos números e perspectivas

Análise dos números e perspectivas

Vale destacar que, embora o lucro tenha caído, a empresa não está sangrando. Um lucro líquido de R$ 212,9 milhões ainda é um valor significativo. O desafio agora é equilibrar a balança entre crescimento de volume e proteção de margem.

O lucro bruto ficou em R$ 2,2 bilhões, o que mostra que a capacidade de compra e revenda segue forte. O problema está nos custos intermediários. Se a administração do Grupo Mateus conseguir estabilizar as despesas com vendas sem sacrificar a expansão do Novo Atacarejo, os próximos trimestres podem mostrar uma recuperação na rentabilidade.

O mercado estará de olho em dois indicadores-chave nos meses seguintes: a normalização das SSS (espera-se que a base comparativa mais difícil do ano passado ajude) e a maturação da operação do Novo Atacarejo, que deve começar a entregar eficiências de escala mais claras.

Frequently Asked Questions

Frequently Asked Questions

Por que o lucro do Grupo Mateus caiu se a receita aumentou?

A queda no lucro líquido de 21,8% ocorreu porque as despesas operacionais cresceram muito mais rápido que a receita. Especificamente, as despesas com vendas subiram 27,9%, enquanto a receita cresceu 12,9%. Além disso, as vendas nas lojas já existentes (SSS) caíram 7,3%, indicando que o crescimento veio principalmente da abertura de novas unidades e da integração do Novo Atacarejo, operações que ainda têm custos elevados de consolidação.

O que é o Novo Atacarejo e qual seu impacto?

O Novo Atacarejo é um formato de varejo híbrido que combina características de atacado e varejo, focado em preços baixos e volumes maiores. Sua integração ao portfólio do Grupo Mateus foi o principal impulsionador da receita de R$ 9,4 bilhões no 1T26. Embora tenha trazido volume, a operação ainda está em fase de ajuste, o que contribuiu para a pressão sobre as margens de lucro no curto prazo.

Como foram as vendas nas lojas antigas (SSS)?

As vendas em mesmas lojas (SSS) apresentaram desempenho negativo, caindo 7,3% no primeiro trimestre de 2026. Isso representa uma mudança drástica em relação ao 1T25, quando havia um crescimento de 5,2%. Esse recuo de 12,5 pontos percentuais sinaliza desafios na retenção de clientes ou na competitividade de preços nas unidades tradicionais, fora da nova expansão.

Qual a situação do caixa e do EBITDA da empresa?

Apesar da queda no lucro líquido, a saúde financeira operacional permanece sólida. O EBITDA pós-IFRS16 foi de R$ 543 milhões, e a geração de caixa no trimestre atingiu R$ 323 milhões. Esses indicadores sugerem que a empresa tem recursos suficientes para continuar sua estratégia de expansão e investir na eficiência do novo formato sem depender imediatamente de capital externo.